sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Jornal Carcará, resistência nas condições mais extremas. Altivez e força


Editorial

As grandes crises do capitalismo, a de 1929 e a de 2008, iniciaram-se nos EUA. Ambas remodelaram o mundo. Mas em 1929 significou o fortalecimento do Estado, especialmente nos países centrais, no sentido do controle do mercado. Já em 2008, a resposta foi a demolição do que restava dessa forma estatal. Em 1929, o capitalismo tinha adversário: o socialismo soviético atemoriza as classes dominantes na mesma medida em que encorajava os trabalhadores. Pelo medo, as primeiras aceitaram um acordo. Hoje, o capitalismo reina sozinho e impõe com toda a radicalidade os seus brutais interesses.
A crise de 2008 colocou em outro patamar a disputa entre as potências, que visam lançar sobre os demais países os custos da longa crise de recompor as suas bases de acumulação. A relação entre os EUA de Trump e a China é a de uma duradoura guerra econômica. A Europa naufraga em suas próprias contradições. Na América do Sul, diversos governos progressistas foram derrubados por golpes, o principal deles o do Brasil de 2016.
Assim, a derrubada do governo Dilma e a prisão do ex-presidente Lula dizem respeito a uma reconfiguração do poder em escala mundial, reconfiguração marcada pela agressividade das classes dominantes, não mais dispostas, em razão da própria crise, a pactuar o que quer que seja, e pela ofensiva norte-americana, em sua busca da recomposição de sua hegemonia mundial.
A ofensiva da burguesia aliada ao imperialismo encontrou terreno fértil no país, seja em razão da fragilidade de nossa economia, seja em razão das tradições golpistas das camadas médias e seus partidos, além dos efeitos da crise econômica sobre uma economia basicamente exportadora de commodities. Além disso, nossas ilusões em relação ao caráter de todo o processo político iniciado em 2003, no qual não mobilizamos o povo, no qual acreditamos em um Estado neutro, apto a desenvolver políticas populares, tais ilusões também fermentaram as condições golpistas.
Para nos derrotar, as classes dominantes nacionais e internacionais estão se valendo de um governo ainda mais reacionário do que a ditadura militar, que combina autoritarismo político, obscurantismo cultural e o mais feroz liberalismo e entreguismo das riquezas nacionais.
Não nos iludamos: ainda que o governo Bolsonaro não resolva quaisquer dos problemas essenciais do país, a resistência será de longo prazo e passará por uma reformulação política e ideológica da esquerda. Unidade, frente popular, eis as palavras centrais.
É nesse tempo que se lança ao ar ... Carcará! Resistência nas condições mais extremas. Altivez e força. Resistência tenaz à fome, como o povo nordestino, berço da civilização brasileira e que agora novamente nos serve de farol.

Longa vida ao Carcará! Que cumpra a sua finalidade de luta e combate por um Brasil socialista!

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