Editorial
As
grandes crises do capitalismo, a de 1929 e a de 2008, iniciaram-se nos EUA.
Ambas remodelaram o mundo. Mas em 1929 significou o fortalecimento do Estado,
especialmente nos países centrais, no sentido do controle do mercado. Já em
2008, a resposta foi a demolição do que restava dessa forma estatal. Em 1929, o
capitalismo tinha adversário: o socialismo soviético atemoriza as classes
dominantes na mesma medida em que encorajava os trabalhadores. Pelo medo, as
primeiras aceitaram um acordo. Hoje, o capitalismo reina sozinho e impõe com
toda a radicalidade os seus brutais interesses.
A
crise de 2008 colocou em outro patamar a disputa entre as potências, que visam
lançar sobre os demais países os custos da longa crise de recompor as suas
bases de acumulação. A relação entre os EUA de Trump e a China é a de uma
duradoura guerra econômica. A Europa naufraga em suas próprias contradições. Na
América do Sul, diversos governos progressistas foram derrubados por golpes, o
principal deles o do Brasil de 2016.
Assim,
a derrubada do governo Dilma e a prisão do ex-presidente Lula dizem respeito a
uma reconfiguração do poder em escala mundial, reconfiguração marcada pela
agressividade das classes dominantes, não mais dispostas, em razão da própria
crise, a pactuar o que quer que seja, e pela ofensiva norte-americana, em sua
busca da recomposição de sua hegemonia mundial.
A
ofensiva da burguesia aliada ao imperialismo encontrou terreno fértil no país,
seja em razão da fragilidade de nossa economia, seja em razão das tradições
golpistas das camadas médias e seus partidos, além dos efeitos da crise
econômica sobre uma economia basicamente exportadora de commodities. Além
disso, nossas ilusões em relação ao caráter de todo o processo político
iniciado em 2003, no qual não mobilizamos o povo, no qual acreditamos em um
Estado neutro, apto a desenvolver políticas populares, tais ilusões também fermentaram
as condições golpistas.
Para
nos derrotar, as classes dominantes nacionais e internacionais estão se valendo
de um governo ainda mais reacionário do que a ditadura militar, que combina
autoritarismo político, obscurantismo cultural e o mais feroz liberalismo e
entreguismo das riquezas nacionais.
Não
nos iludamos: ainda que o governo Bolsonaro não resolva quaisquer dos problemas
essenciais do país, a resistência será de longo prazo e passará por uma
reformulação política e ideológica da esquerda. Unidade, frente popular, eis as
palavras centrais.
É
nesse tempo que se lança ao ar ... Carcará!
Resistência nas condições mais extremas. Altivez e força. Resistência tenaz à
fome, como o povo nordestino, berço da civilização brasileira e que agora
novamente nos serve de farol.
Longa
vida ao Carcará! Que cumpra a sua finalidade de luta e combate por um Brasil
socialista!

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